Sobre o fim dos tempos

That’s how it goes, you think you’re on top of the world, and suddenly they spring Armageddon on you. The Great War, the Last Battle. Heaven versus Hell, three rounds, one Fall, no submission. And that’d be that. No more world. That’s what the end of the world meant. No more world. Just endless Heaven or, depending who won, endless Hell. Crowley didn’t know which was worse.

There were people who called themselves Satanists who made Crowley squirm. It wasn’t just the things they did, it was the way they blamed it all on Hell. They’d come up with some stomach-churning idea that no demon could have thought of in a thousand years, some dark and mindless unpleasantness that only a fully-functioning human brain could conceive, then shout “The Devil Made Me Do It” and get the sympathy of the court when the whole point was that the Devil hardly ever made anyone do anything. He didn’t have to. That was what some humans found hard to understand. Hell wasn’t a major reservoir of evil, any more than Heaven, in Crowley’s opinion, was a fountain of goodness; they were just sides in the great cosmic chess game. Where you found the real McCoy, the real grace and the real heart-stopping evil, was right inside the human mind.

Terry Pratchett e Neil Gaiman, Good Omens

Um dia eu caminhava em uma livraria e encontrei um livro do Terry Prachett e outro autor que não era ambientado no Discworld. Primeiro fiquei emocionada porque é muito, mas muito difícil encontrar um livro do Terry Pratchett por aqui. Depois fiquei meio assim e não comprei. Burra. O livro se chamava Good Omens.

Voltei de viagem e nesse tempo em que estava fora terminei de ler Good Omens. O livro é uma colaboração entre Terry Pratchett (Discworld) e Neil Gaiman (Stardust) e trata de uma história cômica, ofcourse, sobre a chegada do fim dos tempos com o nascimento do anti-cristo.

A história tem uma série de personagens interessantes: o anjo Aziraphale e o demônio Crowley, que apesar de pertencerem a lados antagônicos são bons e velhos amigos; Adam Young, o menino que é o anti-cristo, e a sua gangue chamada Them ; Anathema Device, descendente de Agnes Nutter que escreveu o livro The Nice and Accurate Prophecies of Agnes Nutter, Witch com diversas previsões sobre o futuro, inclusive como o mundo iria acabar. Ah claro, quase ia esquecendo, os quatro cavaleiros do Apocalipse também estão: Guerra, Fome, Poluição (que substituiu a Pestilência com a invenção da penicilina) e a Morte. Na verdade estes quatro estão mais para bikers do Apocalipse. 

Para falar a verdade as melhores passagens do livro são os diálogos entre o anjo Aziraphale e o demônio Crowley (que era a serpente do jardim do Éden). Os dois viveram na Terra por tanto tempo que acabaram  afeiçoando-se ao mundo, e por isso ficam imaginando o que aconteceria se um ou outro lado da moeda ganhasse a batalha final. É claro que os dois acabam tentanto pensar em uma forma de não deixar que o fim do mundo aconteça. Acompanhado daqueles comentário sobre a natureza humana. Genial.

Along with the standard computer warranty agreement which said that if the machine 1) didn’t work, 2) didn’t do what the expensive advertisements said, 3) electrocuted the immediate neighborhood, 4) and in fact failed entirely to be inside the expensive box when you opened it, this was expressly, absolutely, implicitly and in no event the fault or responsibility of the manufacturer, that the purchaser should consider himself lucky to be allowed to give his money to the manufacturer, and that any attempt to treat what had just been paid for as the purchaser’s own property would result in the attentions of serious men with menacing briefcases and very thin watches. Crowley had been extremely impressed with the warranties offered by the computer industry, and had in fact sent a bundle Below to the department that drew up the Immortal Soul agreements, with a yellow memo form attached just saying: “Learn, guys…”

Enquanto eu ia de Lisboa para Madrid de avião acabei abrindo o livro no final sem querer (eu nunca faço isso, porque a probabilidade de eu ler uma passagem em que descubro todo o GRANDE segredo do livro é muito grande. Pura lei de Murphy). Foi uma boa surpresa porque tinha uma entrevista com o editor do livro, falando como os autores escreveram em conjunto Good Omens, e depois uma parte em que Neil Gaiman fala de Terry Pratchett e como eles se conheceram, seguido do contrário.

Sem falar, da dedicatória do livro que é para o G. K. Chesterton e lê-se “a man who knew what was going on”. Quase chorei.

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Going Postal

If you did fool an honest man, he tended to complain to the Watch, and these days they were a lot harder to buy off. Fooling dishonest men was a lot safer and, somehow, more sporting. And, of course, there were so many more of them. You hardly had to aim.

Always move fast. You never know what’s catching you up.

Terry Practchett, Going Postal

 

Terry Prachett é definitivamente um dos meus autores favoritos.

Going Postal é o último livro dele que estou terminando por esses dias. O livro trata de um trapaceador Moist von Lipwig, que no dia de seu enforcamente ganha literalmente uma segunda vida. No entanto, sua nova chance é controlada pelo patrício local, Lord Vetinari, que o obriga a trabalhar como chefe dos Correios local se quiser continuar, digamos assim, vivo. Os Correios de Ankh-Morpork se tornaram decandentes nos últimos anos, com poucos (estranhos) funcionários, que passam a ser subordinados de Moist. O grande arquiinimigo da história são os clacks (uma espécide de internet da história) que agora ocupam o posto de principal serviço para quem deseja enviar mensagens.

Mesmo com este novo emprego que parece muito mundano, Moist continua um show man, e logo ganha fama na cidade por conseguir fazer com que os Correios voltassem a funcionar. Como todo trapaceiro ele sempre promete coisas absurdas, o que sempre deixa o leitor esperando para saber como ele iria realizar o que havia dito.

Terry Prachett é um dos melhores autores de ficção científica que conheço (e agora, quem ler isto, vai lembrar de outro autor e pensar “não, não é não”). Com certeza o mais engraçado.

Ah! Acabei de descobrir que o livro virou um filme para a TV, e que está disponível para baixar no site eztv aqui e aqui.

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Contra clichês

Gabriel Syme was not merely a detective who pretended to be a poet; he was really a poet who had become a detective. Nor was his hatred of anarchy hypocritical. He was one of those who are driven early in life into too conservative an attitude by the bewildering folly of most revolutionists. He had not attained it by any tame tradition. His respectability was spontaneous and sudden, a rebellion against rebellion. He came of a family of cranks, in which all the oldest people had all the newest notions.

The more his mother preached a more than Puritan abstinence the more did his father expand into a more than pagan latitude; and by the time the former had come to enforcing vegetarianism, the latter had pretty well reached the point of defending cannibalism.

Being surrounded with every conceivable kind of revolt from infancy, Gabriel had to revolt into something, so he revolted into the only thing left—sanity.

G. K. Chesterton, The Man Who was Thursday

Li este livro há um tempo atrás e acabou virando um dos meus favoritos. A história ocorre em Londres, na virada do século XIX para o século XX, em que um detetive da Scontland Yard (Grabiel Syme) se passa por um anarquista. Foi depois de ter lido um livro de Chesterton há muito tempo atrás, totalmente por acaso, descobri que The Man Who was Thursday era seu livro mais famoso. Depois de ler o livro a gente entende o porquê.

Chesterton é um daqueles (poucos) autores que odeia clichês. Enquanto que o herói é um policial conservador, o vilão é um liberal maluco. Logo no começo, o livro tem uma virada tão interessante, que quando terminei de ler o capítulo minha vontade foi de levantar e bater palmas!

Os diálogos são fantástiscos, extremamente inteligentes e engraçados, e revelam a capacidade de Chesterton de criar uma ótima história.

Outras histórias de mistério clássicas de Chesterton têm Father Brown, um padre, como protagonista. O conto The Invisible Man foi um dos melhores que já li até hoje nesse gênero.

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